Chego em casa apertado. Corro cruzando as pernas, o mais rápido possível – que não chacoalhe tanto – em direção ao banheiro. Estou vestindo uma calça daquelas que tem uma corda na cintura. Entro no banheiro atabalhoado, já levantando a tampa do vaso e desatando o tope da cintura ao mesmo tempo. É aí que me dou mal: ao invés de desatar o laço, puxo um nó cego!

Vendo que não consigo desfazer o nó, tento baixar as calças de qualquer jeito. É inútil, e acaba apertando ainda mais o nó! Minhas unhas estão curtas, bate o desespero, grito por socorro, minha mulher corre até o banheiro onde imagina, pelo fiasco, que eu esteja morrendo. Explico a situação, ela se esforça, não consegue, eu clamo a deus, minha cadelinha passa a dar voltas latindo, minha bexiga está a ponto de explodir, minha mulher grita, quebrou uma unha, o psicológico atua, começo a pensar em uma cascata, Garganta do Diabo, muita água, minha mulher, de joelhos, tenta desatar a corda com os dentes, Niágara, Oceano Atlântico, suor escorrendo, cadela uivando. No auge da agonia, lembro da tesoura no armário do banheiro, afasto minha mulher, corto a corda, a calça, tudo! Aaaahhhhhh!

Enquanto a bexiga esvazia, uma cor azulada invade minha mente, o céu, o paraíso, Mega-Sena acumulada, prêmio Nobel de literatura. Quando abro os olhos minha mulher está sentada no chão, encostada na parede, exausta, minha cadela agora abana o rabo, o mundo volta a girar, tudo volta a fazer sentido, a vida é bela. Caramba, que delícia mijar